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Paraguai pode voltar ao Mercosul antes de fazer eleição

Para chanceler Antonio Patriota, retorno ocorrerá quando países do bloco acharem que democracia foi restabelecida

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, disse ontem que o Paraguai poderá voltar ao Mercosul ainda antes das próximas eleições presidenciais, marcadas para 21 de abril de 2013, desde que os demais membros do bloco entendam que a democracia foi restabelecida.

O Paraguai foi suspenso em junho, após um rápido processo que destituiu o então presidente Fernando Lugo, acusado de mau desempenho. Argentina, Brasil e Uruguai, países que à época formavam o Mercosul, repudiaram a medida e suspenderam politicamente o país do bloco.
Ontem, Patriota destacou que o Brasil realiza uma avaliação permanente da situação no Paraguai. De acordo com ele, o tema será discutido na próxima reunião de cúpula do Mercosul, em Brasília, prevista para dezembro.

Patriota, porém, não estabeleceu data para uma decisão. "A nossa expectativa é a de que o Paraguai retorne o mais pronto possível, assim que seja retomada a vigência democrática. A manutenção do calendário eleitoral foi considerada positiva", disse Patriota, em um encontro no Rio com seu colega uruguaio, Luis Almagro. "Legalmente, poderá ser a partir do momento em que os membros decidirem. Pode ser a qualquer momento."

Punição. O chanceler brasileiro reafirmou ontem que não estão em estudo sanções econômicas. "Foi deixado claro, desde o princípio, que seriam tomados cuidados para que o povo paraguaio e a economia paraguaia não sofressem qualquer impacto. Até onde eu estou informado, nos últimos dois meses, o comércio entre Brasil e Paraguai tem aumentado", afirmou Patriota.

Sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul, o chanceler uruguaio disse que houve um benefício mútuo para todos os países do bloco. Na época da aprovação da entrada de Caracas, o Uruguai criticou o fato de os membros terem ignorado o Legislativo paraguaio.
"Para nós, o ingresso da Venezuela no Mercosul se deu na base do benefício mútuo. Fortalecemos o Mercosul", disse. "Temos na Venezuela um sócio estratégico, com economia complementar, especialmente à uruguaia."
Após a reunião, ambos os chanceleres destacaram a importância da estabilidade na transição política na Venezuela, cujas eleições presidenciais serão realizadas amanhã. "A Unasul criou um conselho eleitoral que permitirá que a eleição, a pedido dos países, possa ser objeto de missão de observação sul-americana", disse Patriota, completando que, além disso, cada país poderá enviar seus observadores.

Eleição. O assessor especial da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, e diplomatas brasileiros estarão na Venezuela. "Temos confiança de que será um pleito plenamente transparente, democrático, em que a vontade do povo venezuelano se fará expressar da maneira mais livre possível", declarou Patriota. / COM REUTERS
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