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Vença quem vencer, América Latina não espera mudanças após eleições nos EUA

Depois de ter sido considerada durante anos pelos Estados Unidos o seu quintal, a América Latina, hoje em segundo plano, não aguarda grandes mudanças com a eleição presidencial americana, embora o Brasil espere aproveitar o desinteresse para seguir ampliando sua influência na região.
Enquanto Washington centrou sua atenção em Oriente Médio, China, Afeganistão e Irã, a América Latina, governada em grande parte pela esquerda, ganhou autonomia e criou organismos como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que deixam os Estados Unidos de fora.

Este esquecimento deu ao "Brasil espaço para crescer, para articular políticas regionais, para fazer uma integração da infraestrutura" latino-americana, considerou Bruno Borges, especialista em Relações Internacionais da PUC-Rio.
Com isso, o Brasil se transformou 'na potência regional moderada, que conversa com todos' e que, como principal interlocutor de Washington na região, mostra aos Estados Unidos que "não há nada a temer", acrescentou.

A China também ganhou espaço na América Latina, com grandes investimentos em matérias-primas e obras de interconexão regional, e em 2009 superou os Estados Unidos como principal sócio comercial do Brasil.
As relações dos Estados Unidos com a América Latina são basicamente econômicas, e a região "continuará em segundo plano, com vitória do presidente Barack Obama ou de seu rival republicano Mitt Romney" nas eleições presidenciais de 6 de novembro, considerou Rubens Barbosa, embaixador brasileiro em Washington.

A região "não se beneficiou tanto da política externa americana nos últimos quatro anos para ter uma preferência clara" por algum deles, considerou Oliver Stuenkel, especialista em Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas.
Em seu último debate, Obama não mencionou a América Latina ao menos uma vez. Já Romney propôs aumentar o comércio com a região.
Mas especialistas apontam que a proposta de Romney não é realista.
Devido à crise, "nem mesmo os republicanos, que tradicionalmente defendem o livre comércio, estão em condições de aumentar o intercâmbio com a região", disse Borges.
Washington já possui tratados de livre comércio com México, América Central, Panamá, Colômbia, Peru e Chile. 'Os demais países, como Venezuela e outros "bolivarianos", não querem um TLC com os Estados Unidos, e o Brasil e o Mercosul também não, porque os Estados Unidos não vão abrir o setor agrícola, que nos interessa', explicou Barbosa.

-- "Chávez não é uma ameaça" -- No entanto, uma vitória democrata pode impulsionar algumas mudanças em Cuba, enquanto uma conquista republicana arrisca endurecer o discurso com os países "bolivarianos", acreditam os especialistas.
A América Latina deixou de ser uma prioridade para Washington "porque acabaram os conflitos. Chávez não é uma ameaça. Cuba deixou de ser uma ameaça" e a guerrilha das Farc negocia a paz com o governo da Colômbia, disse Barbosa.
Embora Venezuela e Estados Unidos não tenham laços diplomáticos, Chávez vende a Washington - seu principal sócio comercial - quase um milhão de barris de petróleo por dia.

O presidente venezuelano chegou a apelidar seu antecessor republicano George W. Bush de "burro" e "bêbado", mas moderou o tom com Obama. Dias antes de ser reeleito até 2019, declarou inclusive que "se fosse americano, votaria em Obama".
O aumento da violência ligada ao narcotráfico na América Central e no México é um tema que Washington observa com preocupação. Apenas no México, que compartilha 3.200 km de fronteira com os Estados Unidos, 60.000 pessoas morreram devido ao narcotráfico nos últimos seis anos.
Se Obama for reeleito, sobem as apostas por uma abertura em relação a Cuba. O presidente já eliminou restrições ao envio de remessas e ampliou as permissões para viajar à ilha.

"Se Obama vencer, é capaz de fazer uma abertura maior, de acabar com o embargo ou algo bem dramático", afirmou Barbosa.
Já uma vitória de Romney pode acarretar um "discurso mais belicoso" em relação à Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia ou Nicarágua, advertiu Borges.
A Bolívia também não tem laços diplomáticos com os Estados Unidos desde 2008, e há algmas semanas o presidente Evo Morales disse que ter boas relações com Washington era "um cocô".
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