Curta a Nossa
FANPAGE
REVISTA MERCOSUL
For Export
Visitas: 2.617.458 | Email: info@ccmercosul.org.br | Telefone: +55 (11) 5524-6370

FIQUE POR DENTRO


José Serra prevê ano tenso para a economia

Esquivando-se de qualquer comentário sobre o processo eleitoral presidencial, o ex-governador de São Paulo José Serra entende que 2014 será tenso para a economia brasileira. O tucano afirmou ontem para empresários de Caxias do Sul, em reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços, que o real continuará sendo desvalorizado, em função do elevado déficit de conta-corrente do governo, e que os juros também serão elevados para atrair investidores. “Não será um colapso, mas um ano bastante complicado”, resumiu. Para Serra, a inflação permanecerá nos patamares atuais, assim como as contas públicas, pois, na sua avaliação, existe pouca margem de manobra.

Ex-senador e ex-ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso, José Serra acredita que o ciclo lulista de desenvolvimento, sustentando pelo consumo e não pelo investimento público e privado, chegou ao seu fim. O tucano argumentou que o Brasil passa por momento de produção interna muito cara em dólar, o que tem gerado a desindustrialização brasileira. “A participação da indústria no PIB retornou aos patamares do pós-guerra, de 13%. Um dos efeitos colaterais é o déficit alto da conta-corrente, algo como 4% do PIB, herança que ficará para o próximo presidente resolver”, advertiu.

Serra também criticou a política comercial externa do governo, especialmente no que se refere ao Mercosul e à falta de acordos bilaterais. Para o tucano, o acordo com os países vizinhos só traz prejuízos ao Brasil, que não pode tomar nenhuma medida sem ter de carregar os parceiros junto. “O Mercosul inibe a ação do Brasil no exterior. Por isso, temos apenas acordos bilaterais assinados com Israel, Palestina e Egito.”

No entendimento do ex-governador paulista, têm faltado atitude e planejamento ao governo para resolver as principais questões sociais e econômicas. Afirmou que é possível governar na democracia sem a necessidade de lotear os cargos públicos, como tem sido regra . “É preciso resolver os problemas aos poucos, criando círculos virtuosos e não viciosos.”

O ex-candidato à Presidência disse que o Brasil perdeu uma grande oportunidade de realizar obras de infraestrutura quando o governo equivocou-se, em 2007, no programa de concessões das estradas, que, segundo ele, continuam ruins. Para Serra, se tivesse agido como está fazendo agora, mesmo que ainda de maneira limitada, o governo federal teria realizado obras em grande escala com efeito duplo: melhoraria a demanda da economia e aumentaria a produtividade.

Ex-ministro da saúde, José Serra criticou a política do governo de reduzir sua participação no custeio dos gastos com a saúde pública. Lembrou que a destinação de verbas federais caiu de 53% para 45%, o que exigiu maior participação dos estados e municípios. O tucano defendeu que estados e municípios devem manter seus percentuais, mas a União precisa elevar os seus. Em relação à segurança, Serra garantiu que é possível um efeito grande sem a necessidade de investimentos exagerados. Em sua opinião, o governo tem uma política limitada, quase que omissa, no combate às drogas e ao crime organizado. “É preciso investir em campanhas educacionais, como fizemos com o cigarro, que deram certo, mostrando ao cidadão os efeitos nefastos das drogas.”
Câmara de Comércio do Mercosul e Américas
+55 (11) 5524-6370 | info@ccmercosul.org.br
Agência WebSide